O final do ano é um momento em que muitos de nós sentimos um misto de alegria, gratidão, mas também preocupação ou ansiedade: as contas das festas, as compras, os presentes, os mil jantares de Natal e os encontros familiares.
Assim, refletimos hoje sobre estratégias em como cuidar do bem-estar psicológico ligado às finanças nesta época tão carregada.
Porque é que o final do ano pode ser tão stressante?
Existem alguns fatores característicos desta altura do ano que ajudam a que se crie alguma ansiedade e stress:
- Pressão para gastar: Durante as festas, muitas pessoas sentem-se pressionadas a gastar mais do que gostariam. Um estudo da Beyond Finance indica que 56% dos inquiridos relatam sentir pressão para gastar dinheiro nos presentes. Em Portugal, a ansiedade financeira afetou um número significativo de pessoas, especialmente entre grupos mais vulneráveis (rendimentos baixos, desemprego, mulheres, jovens adultos).
- Ansiedade Financeira: O grande carácter económico desta época fomenta fenómenos como as “money wounds” – feridas emocionais relacionadas com despesas, baixa autoestima, vergonha por erros financeiros passados ou comportamento impulsivo de compra. Para alguns, isso ativa um ciclo de ansiedade → compras impulsivas → mais stress financeiro.
- Ciclo de fuga: Algumas pessoas com stress financeiro evitam verificar contas, ignoram saldos ou dívidas — o que pode dar uma sensação de alívio momentâneo, mas tende a agravar os problemas a longo prazo.
- Tensões familiares e sociais: A pressão familiar e social é também um gatilho e aumentam o risco de desconforto financeiro e emocional. Os encontros familiares, embora potencialmente felizes, podem trazer desilusões, lutas por expectativas, ressentimentos antigos, o que acrescenta uma carga emocional extra nesta época de conciliação entre trabalho, família, compras e expectativas sociais.
Estratégias Práticas para Gerir o Stress Financeiro
Aqui estão algumas tácticas concretas que podes sugerir na campanha para os colaboradores ou para o público:
- Planeamento com antecedência
- Fazer um orçamento para as festas já com alguns meses de antecedência (presentes, refeições, viagens, decoração).
- Dividir as despesas ao longo do ano: juntar uma parte todos os meses para “fundo de festas”.
- Definir limites claros para presentes
- Estabelecer um “teto de presente”: combinar com a família ou grupo de amigos um limite máximo por presente ou usar sorteios (”Amigos Secretos”) para reduzir o número de presentes.
- Optar por presentes simbólicos, feitos à mão, ou experiências (que podem trazer mais valor emocional do que compras caras).
- Reduzir custos operacionais
- Simplificar refeições, reduzir desperdício, decorar de forma mais económica. Encomendar presentes online, antecipar compras, e aderir aos presentes DIY podem contribuir significativamente para um custo financeiro menos notório.
- Usar mais pagamentos em dinheiro ou débito quando possível, para evitar cair em dívidas de cartão.
- Lidar com o impulso de gastar
- Reconhecer quando a ansiedade leva a compras impulsivas: fazer uma pausa (“espera de 24 h”) antes de decidir comprar algo caro.
- Buscar alternativas para aliviar a ansiedade (em vez de gastar): dialogar com alguém de confiança, fazer algo relaxante, reservar pequenos momentos de autocuidado.
- Aumentar a literacia financeira
- Incentivar a leitura ou participação em workshops de educação financeira. Em Portugal, o estudo “Bem-Estar Financeiro” mostra que muitos têm baixo conhecimento financeiro, o que contribui para stress e ansiedade.
- Em casos de necessidade acrescida, apoio psicológico ou consultoria financeira para ensinar ferramentas de autorregulação emocional e planeamento financeiro.
Conclusão
O final do ano traz luzes, consoada, celebrações… mas também pode trazer ansiedade, pressão e preocupações financeiras. Ao combinar estratégias financeiras práticas (orçamento, planeamento, limite de gastos) com apoio psicológico (autocompaixão, comunicação familiar, terapia), a SEPRI pode ajudá-lo a navegar esta época com mais leveza, equilíbrio e bem-estar.
A verdadeira “dádiva” que podemos oferecer pode não estar nos presentes de Natal mais caros, mas sim na tranquilidade e no serviço que prestamos aos outros!
Saúde Financeira é Saúde Emocional!
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